A Pedra e a Natureza  
     

Do Latim "Boscus Sacrum" ou "Bosci Sacrum" (que significa literalmente "madeira sagrada" e figurativamente "bosque sagrado" já que a palavra latina que significa "bosque" é "silva") nasceu a palavra "Bussaco" ou "Buçaco".

"Serra do Bussaco" era na origem, não o nome da serra mas uma descrição de localização. O "do" em "Serra do Bussaco" indica "onde é", dando origem à descrição "Serra onde é o bosque sagrado". O nome original da cadeia montanhosa era "Serra da Alcoba". "Alcoba" tem a sua origem na língua árabe e significa "local de descanso ou pernoita". Talvez por ser a meio caminho entre Lisboa e o Porto, possa ter sido um bom local para descansar no tempo do domínio árabe - quem sabe?!

De qualquer das maneiras, "Serra da Alcoba" era um conjunto de montanhas mais extenso, que incluía igualmente o Caramulo e se extendia entre o Vouga e o Mondego, como uma parede natural, dividindo o interior da orla marítima das Beiras.

Depois da Batalha do Bussaco em 1810, o nome da serra foi definitivamente mudado para "Serra do Buçaco" e o nome "Alcoba" abandonado e esquecido.

 
     
 
Com a sua primeira pedra erigida em 1620 pelos Carmelitas Descalços, o complexo arquitectónico do Mosteiro, foi sempre um local de descanso, contemplação e recolhimento.
 

Com a extinção das ordens religiosas e a morte do último monge em 1830-40, os edifícios foram então usados como quartéis militares, tal como tantos outros em Portugal. Mais tarde, novos edifícios foram construídos para dar abrigo aos visitantes atraídos pela beleza natural do Bussaco.

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Em 1888, por influência de Emídio Navarro e pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, parte do complexo foi destruído para dar lugar ao então chamado Grande Hotel do Bussaco - o último palácio a ser mandado erigir pela monarquia portuguesa.

     

Com a conclusão do edifício principal, o projecto continuou com outras remodelações, nomeadamente a Casa dos Cedros, sob a orientação de Nicola Bigaglia.

 

     
 

A posição majestosa sobre o horizonte foi decerto um factor que influenciou o progresso do projecto, mesmo em tempos de grande instabilidade como os da implantação da República.

     

O complexo de poente foi o último a ser desenvolvido. Campos agrícolas e árvores de fruto foram mantidos durante muitos anos a par com alguns dos edifícios construídos em meados do Século XIX.

A fase final do complexo (projectado pelo arquitecto português Norte Júnior em 1905) era o Anexo Real, conhecido pela Casa dos Brasões. Norte Júnior seria mais tarde convidado a voltar a este complexo para remodelar a chamada Casa das Pedrinhas.

 
     
  Na década de 80 do Século XX, os edifícios sofreram largas remodelações pela mão do arquitecto português José Paulo Santos, de modo a adaptar o majestoso edifício às modernas exigências dos hoteis de excelência. O complexo é, sem sombra de dúvidas, uma das jóias da coroa da arquitectura em Portugal.